Histórico de August, 2009
A vinda do Messias e a primeira vez
Alguns dias estava me ponderando sobre coisas que minha mãe fala sobre a vinda do Messias. Ou, para os ateus, a volta de quem nunca foi: Jesus. É incrível como religiosos vêem esse dia como um maravilhoso momento onde virá um ser divino e levará todas as almas boas para viverem o resto da vida puxando o saco de Deus, mas mesmo assim muitos o temem.
Esse dia poderia até ser maravilhoso, não fosse o fato de que isso é algo contado baseando-se numa história criada há milênios e que, ao passar do tempo, foi sendo modificada a bel prazer dos superiores religiosos. Essa angústia, me faz imaginar que, se porventura, um dia esse cara voltar, acabará sendo um miserável #fail para seus seguidores.
Digo isso porque refleti sobre a atitude de muitos deles casarem virgem. Ou seja, eles irão conhecer a sensação de uma primeira penetração imaginando como se fosse a melhor coisa do mundo, com a melhor pessoa do mundo. Mas sabemos que não será.
A primeira penetração é sempre a pior, primeiro pela falta de experiência de ambos e segundo porque existe um hímen no meio do caminho e ele se rompe (a menos que seja complacente). Como a cultura deles não permite que esses tipos de coisas sejam facilmente discutíveis, eles acabam chegando no bem bom com medo de não saber fazer.
Ou seja, chegamos a seguinte conclusão: Eles esperam ter o melhor momento, mas ao mesmo tempo têm medo também. Perceberam como as duas coisas recebem exatamente os mesmo sentimento para um religioso?
É engraçado ver tais atitudes, e a forma como eles evitam falar de tais assuntos. Por mais que eles queiram muito ir para o céu, eles têm medo de não serem bons o suficiente para isso. Assim como eles querem muito dar uma metida (afinal de contas, independente da cultura, os hormônios existem. E FUNCIONAM!), eles têm medo de não serem bons o suficiente para tal momento.
O que me faz perguntar por que eles continuam tendo esse mix de sensações, sem ter a necessidade? Por que um dogma priva tanto as pessoas de se questionarem, que as torna ao mesmo tempo tão esperançosas e tão ignorantes, a ponto de não saber que nem sempre uma mulher sangra na sua primeira vez?
Talvez, se elas se perguntassem mais, menos ligadas a religião estariam, por isso são incentivadas a aceitarem apenas o que lhes é passado através de um livro, ou das palavras de um líder. Medo de algo que não existe?
Me lembra quando tinha 11 anos e minha mãe me encontrou brincando com meu “brinquedo”, no que ela me disse que se continuasse com aquilo, o “bicho-papão” viria me pegar. Sinceramente? Naquela época eu tive medo, mas hoje não. Portanto, amigos religiosos, não tenham medo. Sintam-se livre para se questionar, e descobrirão que existe muito mais do que apenas um livro para se ler. Pense nisso.
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Visões da cidade de São Paulo
Postado por Naftali em Experiências, Opiniões em August 16th, 2009

Algumas vezes a mudança de uma cidade para outra pode não ser tão ruim. Mas em outras a história é um bocado diferente. Eu, por exemplo, não senti muita diferença quando fui para Curitiba “conhecer a cidade”, apenas me senti em Sorocaba mesmo, só que um pouco maior.
Porém, em São Paulo a história não é bem a mesma. Não sei se é pelo fato de ser a maior metrópole da América Latina, e terceira maior do mundo, ou simplesmente pelo fato de eu estar lá por causa de trabalho. Como uma vez que fui com um colega de trabalho ele comentou assim que pisou na rodoviária: “Cara, é incrível como basta pisar em São Paulo para se sentir estressado”.
A visão é um bocado estranha, com pessoas que você nunca viu na vida passando em turbilhão, como se todas estivessem atrasadas. Pessoas com malas, outras engravatadas, e alguns mochileiros correndo para lá e para cá dentro de um terminal que nem é o maior da cidade ainda: Barra Funda.
Como se não bastasse essa visão de correria dentro do terminal rodoferroviário, a ideia também se aplica às ruas. É difícil encontrar pessoas conversando umas com as outras, o constante movimento incessável continua em todo lugar da cidade, com a grande diferença social como principal marca registrada. De um lado um executivo aparentemente bem de vida, de outro um mendigo caçando um lugar para sentar e pedir suas esmolas.
Eu bem que gostaria de estar na cidade para visitar seus pontos turísticos, ou apenas para visitar o shopping, mas dessa vez não dava e precisava me dirigir direto a meu ponto de destino. Pego um táxi e, no meio do caminho, enquanto conversava com o taxista, reparava quão precária algumas partes da cidade são. Principalmente quando se passa pela Radial Leste-Oeste, mais conhecido como “Elevado”. É basicamente como se fosse uma rua em cima da outra, feita para que seja possível cortar o fluxo das ruas tortuosas da cidade. Uma gambiarra para ajustar a crescente quantidade de carros na cidade.
Como o local não foi planejado para receber tal construção, os arquitetos não construíram os prédios em volta da avenida para que fosse compatível com esse tipo de ideia, então o que vemos são apartamentos de terceiro andar exatamente na mesma altura onde os carros passam. Isso, com toda a certeza desvalorizou muito o lugar, o que fez com que as pessoas não conseguissem vender seus apartamentos, tendo muitos deles abandonado o local, o que então dá uma sensação de local morto. Uma visão um tanto quanto triste.
O próximo contato que tive com o mundo exterior foi quando terminei meu trabalho no cliente e fui me hospedar em um hotel. Sozinho e a pé, saí do quarto para comer alguma coisa na padaria mais próxima. Por segurança, tirei meus cartões da carteira e levei apenas o dinheiro necessário para se comer algo e voltar.
Ao caminhar até a padaria reparei que a cidade parecia não ter parado. Todos os lugares para onde olhava mostravam uma cidade ativa e não tinha cara de que iam fechar tão logo. Bem próximo ao hotel existe um motel, cujo nome não me vem à cabeça nesse instante. O que me espantou a princípio. Pensei: “Um motel no centro da cidade?”. Estou muito acostumado com aqueles motéis beira de estrada, a 5 km de estrada da cidade. De qualquer forma, o motel tem uma fachada bem precária (bem como quase tudo o que vi no bairro), o que não me convida a levar minha namorada, mas nem que fosse o último lugar disponível. No caminho ainda deparo com inúmeros catadores de lixo e mendigos. Aparentemente esse é o único horário em que eles podem vagar sem serem tão notados, como durante o dia.
Cheguei até a padaria, comi um baita de um beirute enorme (isso porque peguei o mini, por recomendação do atendente) que me rendeu um estômago pesado por várias horas, deixando as coisas difíceis até para dormir.
No outro dia, terminei mais algumas coisas que precisava fazer e tracei meu caminho de volta até a Barra Funda para poder pegar o cometão e voltar para Sorocaba, com uma sensação de alívio por retornar a uma cidade menos agitada e estressante. Talvez seja pelo fato de eu ser uma pessoa tranquila e calma, mas confesso que a visão que tenho da cidade de São Paulo não é das melhores, apesar de me esforçar bastante para mudar isso. Pretendo visitar a cidade outras vezes para conhecer alguns pontos legais, mas por enquanto, prefiro continuar por aqui, na calmaria da cidade do interior, que quer ser cidade grande, mas não é.
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