Histórico da categoria Experiências
Visões da cidade de São Paulo
Postado por Naftali em Experiências, Opiniões em August 16th, 2009

Algumas vezes a mudança de uma cidade para outra pode não ser tão ruim. Mas em outras a história é um bocado diferente. Eu, por exemplo, não senti muita diferença quando fui para Curitiba “conhecer a cidade”, apenas me senti em Sorocaba mesmo, só que um pouco maior.
Porém, em São Paulo a história não é bem a mesma. Não sei se é pelo fato de ser a maior metrópole da América Latina, e terceira maior do mundo, ou simplesmente pelo fato de eu estar lá por causa de trabalho. Como uma vez que fui com um colega de trabalho ele comentou assim que pisou na rodoviária: “Cara, é incrível como basta pisar em São Paulo para se sentir estressado”.
A visão é um bocado estranha, com pessoas que você nunca viu na vida passando em turbilhão, como se todas estivessem atrasadas. Pessoas com malas, outras engravatadas, e alguns mochileiros correndo para lá e para cá dentro de um terminal que nem é o maior da cidade ainda: Barra Funda.
Como se não bastasse essa visão de correria dentro do terminal rodoferroviário, a ideia também se aplica às ruas. É difícil encontrar pessoas conversando umas com as outras, o constante movimento incessável continua em todo lugar da cidade, com a grande diferença social como principal marca registrada. De um lado um executivo aparentemente bem de vida, de outro um mendigo caçando um lugar para sentar e pedir suas esmolas.
Eu bem que gostaria de estar na cidade para visitar seus pontos turísticos, ou apenas para visitar o shopping, mas dessa vez não dava e precisava me dirigir direto a meu ponto de destino. Pego um táxi e, no meio do caminho, enquanto conversava com o taxista, reparava quão precária algumas partes da cidade são. Principalmente quando se passa pela Radial Leste-Oeste, mais conhecido como “Elevado”. É basicamente como se fosse uma rua em cima da outra, feita para que seja possível cortar o fluxo das ruas tortuosas da cidade. Uma gambiarra para ajustar a crescente quantidade de carros na cidade.
Como o local não foi planejado para receber tal construção, os arquitetos não construíram os prédios em volta da avenida para que fosse compatível com esse tipo de ideia, então o que vemos são apartamentos de terceiro andar exatamente na mesma altura onde os carros passam. Isso, com toda a certeza desvalorizou muito o lugar, o que fez com que as pessoas não conseguissem vender seus apartamentos, tendo muitos deles abandonado o local, o que então dá uma sensação de local morto. Uma visão um tanto quanto triste.
O próximo contato que tive com o mundo exterior foi quando terminei meu trabalho no cliente e fui me hospedar em um hotel. Sozinho e a pé, saí do quarto para comer alguma coisa na padaria mais próxima. Por segurança, tirei meus cartões da carteira e levei apenas o dinheiro necessário para se comer algo e voltar.
Ao caminhar até a padaria reparei que a cidade parecia não ter parado. Todos os lugares para onde olhava mostravam uma cidade ativa e não tinha cara de que iam fechar tão logo. Bem próximo ao hotel existe um motel, cujo nome não me vem à cabeça nesse instante. O que me espantou a princípio. Pensei: “Um motel no centro da cidade?”. Estou muito acostumado com aqueles motéis beira de estrada, a 5 km de estrada da cidade. De qualquer forma, o motel tem uma fachada bem precária (bem como quase tudo o que vi no bairro), o que não me convida a levar minha namorada, mas nem que fosse o último lugar disponível. No caminho ainda deparo com inúmeros catadores de lixo e mendigos. Aparentemente esse é o único horário em que eles podem vagar sem serem tão notados, como durante o dia.
Cheguei até a padaria, comi um baita de um beirute enorme (isso porque peguei o mini, por recomendação do atendente) que me rendeu um estômago pesado por várias horas, deixando as coisas difíceis até para dormir.
No outro dia, terminei mais algumas coisas que precisava fazer e tracei meu caminho de volta até a Barra Funda para poder pegar o cometão e voltar para Sorocaba, com uma sensação de alívio por retornar a uma cidade menos agitada e estressante. Talvez seja pelo fato de eu ser uma pessoa tranquila e calma, mas confesso que a visão que tenho da cidade de São Paulo não é das melhores, apesar de me esforçar bastante para mudar isso. Pretendo visitar a cidade outras vezes para conhecer alguns pontos legais, mas por enquanto, prefiro continuar por aqui, na calmaria da cidade do interior, que quer ser cidade grande, mas não é.
Popularity: 15% [?]
Leitura Fria – Ela funciona
Postado por Naftali em Cultura, Experiências em April 13th, 2009
Muitos devem, assim como eu, ter nascido e criado em uma família com raízes religiosas. Muitos continuam pela simples facilidade que é ter uma resposta para tudo, outros apenas pela inércia (quando uma pessoa vai porque os pais vão, ou amigos). Eu nasci em uma família cuja mãe era (reparem que o verbo está no passado, agora é evangélica) católica e o pai ateu. Meu pai não dizia isso inicialmente, talvez por não querer estragar a brincadeira, mas minha mãe insistia para que eu acreditasse em amigos imaginários.
Os anos foram passando, não fiz catequese – apesar da grande pressão: “Você não vai poder casar se não fizer!”. Tá, e daí? -, muito menos crisma e, conseqüentemente (Sim, com trema. Quero que se dane a nova ortografia), não fiz a primeira comunhão, que é quando você se arrepende de seus pecados mundanos e aceita seguir a religião seriamente – sei que isso parece muito com o batismo, mas na católica você é batizado quando ainda nem tem menos de 1 ano de idade. Que tipo de pecado você pode ter com essa idade?
Eu, como não fiz todos os passos citados acima, não posso ser considerado católico, apesar de ter sido batizado. Por esse motivo, quando ia à missa (muito raramente), não podia pegar a hóstia. Que triste, não podia comer um pseudo-pão e tomar um pseudo-vinho – É, o vinho ficou caro e até os católicos tiveram que apelar para o suco de uva. Não participei dessas etapas simplesmente porque não quis. Preferia jogar Tomb Raider até as 3 da madruga do que acordar as 6 e ir à catequese… Boring…
Nem por isso eu deixei de ter os medos infantis da religião, ainda mais com uma mãe que fica botando mais medo ainda. Até porque, esse é o principal motivo para se seguir uma religião: Medo. Principalmente o medo da morte, todo o resto é supérfluo.
Mas o tempo foi passando e eu fui ficando cada vez mais “chato” para isso. Simplesmente não gostava. Me irritava ir à igreja por qualquer que fosse o motivo, seja para um casamento, para uma missa especial, porque familiares vão, ou simplesmente porque a ex-namorada ia. Fiquei tão irritado que comecei a pesquisar sobre o assunto e ver todas as cagadas por trás desse mundo de falácias e parábolas.
Nessa época eu me considerava “espiritual, mas não religioso” (era a opção mais cabível do Orkut naquela época). Até porque eu queria acreditar, por mais que tudo parecesse uma babozeira, eu tinha medo. Eu não gostava da religião, mas achava que deveria existir algo. Porém, mesmo nessa época de “por cima do muro”, eu não deixei de ler a respeito, participar de discussões e tirar minha própria conclusão, que se firmaria claramente depois: Ateu (ponto).
Porém, mesmo sendo Ateu, existia algo que eu ainda queria acreditar, ou simplesmente me deixava levar pela onda. Era a Astrologia. Mas, lendo um dos meus blogs favoritos, o Nebulosa Nerd’s Bar, comecei a me questionar também. O Cafetron (editor do blog), resolveu duvidar dessa pseudo-ciência (porque de científico só tem o nome mesmo) e eu acompanhei esse momento através desse incrível texto, escrito pelo próprio (em pdf). Recomendo a todos.
Bom, continuando seus estudos, o Cafetron resolveu aplicar uma das técnicas bastante utilizadas por astrólogos, padres, pastores, charlatões e seu amigo (ou amiga) que possui aquele ombro amigo e te ajuda com conselhos que ninguém mais consegue. Se chama Cold Reading ou Leitura Fria. Se quiser ver a aplicação dele, pode ver nesse post.
Não contente com a facilidade de se aplicar tal técnica, tive que tentar por mim mesmo. Afinal, só acredito vendo. Então aproveitei um dia em que estava com meu ICQ logado (sim, eu tenho ICQ, e daí?) e uma pessoa que havia me adicionado há alguns dias, me chamou para conversar. Ao contrário do estudo de caso do Cafetron, nesse caso eu já sabia o sexo da pessoa, o que facilita a aplicação (mulheres são presas fáceis por serem mais emotivas). Quando fui chamado, pensei comigo mesmo: “Agora é a hora, vamos ver se o troço funciona…”. E comecei:
Popularity: 100% [?]


